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Senado aprova voto de censura a assessor de Bolsonaro por gesto considerado supremacista

No dia 24, Filipe Martins foi a sessão e fez gesto visto como obsceno por parlamentares, o que ele nega. Voto de censura não gera punição, é a forma de o Senado repreendê-lo publicamente

AE – O Senado aprovou nesta quarta-feira (31) voto de censura a Filipe Martins, assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República.

Na semana passada, Martins participou de uma sessão do Senado com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Na ocasião, o assessor do presidente Jair Bolsonaro fez um gesto com a mão, interpretado como obsceno por parlamentares. Martins negou e disse que estava somente ajeitando a lapela do terno.

O movimento que Martins fez com a mão é parecido com um sinal de “OK”, usado em vários países, incluindo Brasil e Estados Unidos. Mas tem outros sentidos. No Brasil, faz alusão ao ânus. Nos Estados Unidos, também é usado por supremacistas brancos que exaltam o que chamam de “white power” (poder branco). Os 3 dedos esticados formariam “W”, de white, e o polegar junto com o indicador emulariam a volta do “P”, de power.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), mandou a polícia legislativa apurar o caso. Como Martins não é parlamentar, o voto de censura não gera punição, é a forma de o Senado repreender publicamente o ato do assessor presidencial. Se for constatada alguma infração, o Senado pode enviar a investigação da polícia interna para o Ministério Público.

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul já informou ter encontrado indícios de crime e pediu a abertura de uma investigação sobre o gesto.

O requerimento aprovado nesta quarta, apresentado por Fabiano Contarato (Rede-ES), afirma que Filipe Martins praticou “gestos racistas e preconceituosos”, compatíveis com a identificação usada pelo “movimento supremacista branco”.

Repercussão
No dia em que Filipe Martins fez o gesto, o Museu do Holocausto se pronunciou. Afirmou ser “estarrecedorque não haja “uma semana que o Museu do Holocausto de Curitiba não tenha que denunciar, reprovar ou repudiar um discurso antissemita, um símbolo nazista ou ato supremacista”.

O museu explicou ainda que:Semelhante ao sinal conhecido como OK, mas com 3 dedos retos em forma de ‘W’, o gesto transformou-se em um símbolo de ódio. Recentemente, o gesto foi classificado […] como um sinal utilizado por supremacistas brancos para se identificarem.

“O Museu do Holocausto, consciente da missão de construir uma memória dos crimes nazistas que alerte a humanidade dos perigos de tais ideias, reforça que a apologia a este tipo de símbolo é gravíssima. Nossa democracia não pode admitir tais manifestações”, concluiu.

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