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Brasil - Policial - Política - 04/08/2021

Após críticas ao governo Bolsonaro, grupo de fanáticos invadem rádio em Pernambuco para ameaçar jornalistas

Jornalistas de uma rádio no município de Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, viveram momentos de tensão na noite de terça-feira (6) quando quatro homens invadiram o estúdio depois que o radialista Júnior Albuquerque fez críticas à política de Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento à Covid-19. As informações são da coluna JC, do UOL.


Num dos vídeos que estão disponíveis nas redes sociais, é possível ver invasores com a máscara pendurada na orelha, discutindo e apontando o dedo para os jornalistas.
O comunicador afirmou à coluna do JC, que teria recebido muitas ameaças após discordar das politicas de enfrentamento ao Covid promovida pelo Presidente.
“Eu disse que queria que esse pessoal fosse até a rádio pra gente debater e eles me explicarem o motivo de tanta raiva e também me mostrarem o que foi que o presidente deles fez de bom [em relação a pandemia]”.

Eu fiz um comentário opinativo, onde expus que no meu ponto de vista, Hitler não era o único culpado do genocídio que aconteceu na Alemanha, pois quem o apoiou e quem se calou também teve sua parcela de culpa. Assim como no Brasil, em relação à COVID-19, os eleitores de Bolsonaro que concordam com a política sanitária que ele vinha fazendo, também iam ter culpa e a história ia dizer isso”, descreveu o jornalista.

Desde o início da pandemia, o presidente vem adotando posicionamentos negacionista. Entre eles, negar a gravidade do vírus, postergar a compra de vacina, não utilizar máscara, incentivar aglomerações e fazer propaganda do uso de remédios sem eficácia comprovada cientificamente e que usados indiscriminadamente, podem provocar a graves efeitos.

Ao sair deixar o estúdio, o radialista prestou queixa na Polícia Civil do município. Além disso, o radialista pretende ainda nesta semana realizar uma queixa-crime no Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

A Asserpe (Associação de Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco) condenou, em nota divulgada nesta quarta-feira (7), a invasão ao estúdio de rádio. Segundo a instituição, a ocorrência fere o direito à liberdade de imprensa.

“O fato de tratar-se de emissora comunitária não associada não muda a posição de nossa entidade, por tratar-se de ameaça à liberdade de imprensa, a qual defendemos de forma altiva. Também porque abre um perigoso precedente que ameaça todos os veículos, inclusive comerciais”, escreveram.

Confira na integra a nota da Asserpe

“A Asserpe condena o episódio de invasão de um estúdio de rádio na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, ocorrido nesta terça (6).

A Rádio Comunidade tinha programa apresentado pelo radialista Júnior Albuquerque. Segundo relatos, ele cobrava maior atuação do Governo Federal na pandemia e foi surpreendido por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro que invadiram os estúdios, o intimidaram e o ameaçaram.

O fato de tratar-se de emissora comunitária não associada não muda a posição de nossa entidade, por tratar-se de ameaça à liberdade de imprensa, a qual defendemos de forma altiva. Também porque abre um perigoso precedente que ameaça todos os veículos, inclusive comerciais.

A Asserpe espera resposta a altura em virtude da gravidade do incidente pelas autoridades que investigam o caso.

A Asserpe defende de forma intransigente a liberdade de imprensa conquistada pelos veículos de comunicação e condena todo ataque à esse direito fundamental, inclusive no papel de cobrar os governos em todas as esferas em nome da sociedade.

Por fim, se solidariza com o radialista Júnior Albuquerque e à Rádio Comunidade, esperando que fatos como esses não se repitam”.

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