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Imigração - 12/02/2020

PF deflagra operação em Caratinga e Tarumirim, MG, para desarticular esquema de entrada ilegal de brasileiros nos EUA

A morte de um mineiro na área de fronteira somada à constatação de que brasileiros estariam entrando ilegalmente em território norte-americano levou a Polícia Federal (PF) a um grupo de agenciadores instalados na região de Caratinga, na Zona da Mata de Minas Gerais, suspeitos de cobrar até US$ 18 mil para garantir a entrada ilegal de mineiros e moradores de outras regiões do país nos Estados Unidos.

Da Redação – A Polícia Federal (PF) cumpre três mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (2), nos municípios de Caratinga e Tarumirim (MG). Denominada Lei do Retorno, a operação tem como objetivo desarticular uma associação criminosa que age na região promovendo a entrada ilegal de brasileiros nos Estados Unidos (EUA), utilizando rotas alternativas mexicanas e o apoio de coiotes. O valor do esquema girava entre U$15 mil e U$18 mil.

De acordo com a investigação, que faz parte de uma ação de cooperação policial internacional contra o tráfico de pessoas, os brasileiros que se sujeitavam à viagem permaneciam na fronteira do México com os Estados Unidos em condições degradantes, alojados juntamente com outros imigrantes ilegais de diversas nacionalidades, aguardando o momento mais propício para a travessia.

Segundo a PF, um destes brasileiros, proveniente da cidade de Tarumirim, foi preso em agosto deste ano pela US Border Patrol/EUA (Polícia de Fronteira dos EUA) ao tentar entrar ilegalmente em solo norte-americano, tendo sido enviado de volta para o México. Onze dias depois ele foi encontrado morto em área da fronteira entre El Paso, México, e Texas, EUA, pela mesma US Border Patrol/EUA.

“Uma das linhas investigativas que visam apurar este homicídio considera a hipótese de que foi morto em decorrência da impossibilidade de arcar com dívidas assumidas junto aos ‘coiotes‘ mexicanos, que atuam em parceria com os agenciadores da região de Caratinga, ora sob investigação”, explica o delegado Rodrigo Morais, revelando que o grupo criminoso cobrava entre U$15 mil e U$18 mil dos interessados em entrar clandestinamente nos Estados Unidos.

“Eles (os criminosos) forneciam toda a logística da viagem, desde passagens aéreas, hospedagens, transportes terrestres até a indicação de cúmplices que, em solo mexicano, contatavam pessoas, conhecidas como coiotes, para efetivamente promover a travessia da fronteira entre o México e os Estados Unidos”, falou Morais.
Policiais Federais do Brasil que atuam na Adidância da Polícia Federal em Washington, EUA, realizaram diligências em parceria com autoridades policiais norte-americanas e encaminharam à Polícia Federal no Brasil dados que levaram à identificação de agenciadores na Região de Caratinga, os quais estariam promovendo, em grande escala, a entrada clandestina de brasileiros nos Estados Unidos.

A pena para o crime de promover, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a entrada ilegal de brasileiro em país estrangeiro é de reclusão, de 2 a 5 anos, e multa, aumentada de 1/6 a 1/3 se a vítima é submetida a condição desumana ou degradante, e soma-se à pena de reclusão do crime de Associação Criminosa, de 1 a 3 anos.

“É necessário salientar que o imigrante contrai uma dívida muito grande para fazer frente às despesas com a migração ilegal. Possivelmente, contrai dívidas com familiares e conhecidos e, não rara vezes, vende bens para garantir o pagamento dessas dívidas”, disse Morais

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