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Imigração - Saúde - 3 dias atrás

Enfermeira diz que imigrantes detidas nos EUA tiveram úteros retirados em cirurgias irregulares

Caso será investigado por autoridades migratórias e parlamentares democratas. Segundo ex-funcionária do centro de detenção que fez a denúncia, as mulheres não entendiam que passariam pelo procedimento. Responsáveis pelo centro negam acusação.

REUTERS Detentas em um centro para imigrantes clandestinos no estado americano da Geórgia tiveram os úteros removidos completamente ou parcialmente em cirurgias irregulares, denunciou na segunda-feira (14) uma enfermeira que trabalhava no local. Autoridades migratórias e parlamentares dos Estados Unidos disseram nesta terça que vão apurar o caso.

Segundo a denunciante, identificada como Dawn Wooten, um ginecologista fazia histerectomias (retirada do útero por intervenção cirúrgica ) em massa nas detentas. Além disso, o centro, localizado na cidade de Irwin, se recusava a aplicar testes do novo coronavírus nos imigrantes detidos no local.

Em entrevista à agência Reuters, Wooten relatou que as detentas eram encaminhadas a ginecologistas ao reclamarem de cólicas ou pedirem por métodos contraceptivos. Nem sempre as decisões médicas eram compreendidas pelas mulheres.

Muitas delas disseram que não entendiam o que estava sendo feito com elas. Ninguém explicava“, relatou a enfermeira.
O teor inteiro da denúncia não foi divulgado, mas parlamentares do Partido Democrata tiveram acesso ao documento e também anunciaram uma investigação sobre o caso. A presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, repudiou o caso.

Se for verdade, as condições horríveis descritas na denúncia — incluindo alegações de histerectomias em massa feitas em imigrantes vulneráveis — são uma violação assustadora dos direitos humanos“, disse Pelosi, em nota.

Autoridades negam acusação
A diretora médica do Serviço de Alfândegas e Imigração (ICE) dos EUA, Ada Rivera, negou irregularidades e disse que o centro na Geórgia só fez dois procedimentos do tipo desde 2018, sempre com aprovação após exames.

Além disso, o ICE disse em nota que um procedimento como histerectomia “jamais seria feita sem a vontade da paciente” sob custódia das autoridades americanas.

A empresa privada responsável pelo centro de detenção, LaSalle Corrections, afirmou em nota que “repudia fortemente as denúncias e qualquer suspeita de má conduta” no centro.

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