AFP – O presidente da Liga de Congressistas Hispânicos nos Estados Unidos, Joaquín Castro, fez um apelo nesta quarta-feira (6) pela aprovação da reforma que regulariza a situação de centenas de milhares de imigrantes atendidos por programas de proteção revogados pelo governo de Donald Trump.

“As representantes Lucille Roybal-Allard e Nydia Velázquez estão trabalhando numa legislação que será apresentada na próxima semana”, disse Castro numa entrevista coletiva na qual afirmou ter o compromisso dos líderes democratas para aprovar uma lei que proteja os jovens sem visto que chegaram quando pequenos, conhecidos como “dreamers” e os beneficiários do Estatuto de Proteção Temporal (TPS).

Os “dreamers”, a maioria deles latino-americanos, foram protegidos pelo ex-presidente americano Barack Obama através do programa DACA, que amparava cerca de 700 mil jovens. Mas, assim que assumiu a presidência, seguindo sua política migratória, Donald Trump cancelou este benefício deixando aberta a possibilidade de deportação.

Trump também revogou a proteção para seis dos dez países do programa TPS, que beneficiava mais de 300 mil pessoas.

“É crucial que aprovemos uma legislação que abra a porta das oportunidades para centenas de milhares de beneficiários da DACA e do TPS para quem nossa nação é seu lar”, defendeu Castro antes de uma audiência perante a Comissão Judicial da Câmara dos Representantes na qual vários jovens testemunharam para contar as dificuldades que enfrentam por sua situação.

“O Congresso tem que atuar. Já não resta mais tempo”, disse Mardoel Hernández, um hondurenho beneficiário do programa TPS.

Hernández explicou que há 275 mil crianças nascidas no Estados Unidos filhas de pais beneficiários deste programa que agora enfrentam a decisão de levar seus filhos a um país que não conhecem ou abandoná-los.

“Já não há tempo para jogos políticos, o Congresso tem que atuar. Agradecemos pelo que está sendo feito, mas temos que pressionar com mais força”, afirmou.

Jesús Contreras, de 25 anos, deixou o México com os pais e chegou aos Estados Unidos quando tinha seis anos. Para ele, a incerteza de perder seu status migratório tem sido “uma montanha russa emocional”.

“Há muita incerteza. Ter todos esses benefícios e depois perdê-los nos deixa num estado de incerteza de não saber se poderemos seguir trabalhando e continuar com nossas carreiras”, contou à AFP.

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