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EUA - Local - Política - Trump - 4 semanas atrás

O primeiro ‘vale tudo’ Biden X Trump foi marcado por insultos e acusações

A sondagem da CNN é mais favorável a Biden do que a da CBS News, mas ambas corroboram: Biden conservou pelo menos a vantagem que levava antes do debate

Da Redação – Depois de meses de trocas de acusações pela imprensa e nas redes sociais, o democrata Joe Biden e o republicano Donald Trump se enfrentaram diretamente pela primeira vez na noite desta terça-feira, 29/9, em frente às câmeras da rede de TV Fox News, a 35 dias das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Por ser um evento ao vivo, em que o candidato se vê sozinho diante de milhões de espectadores e de perguntas espinhosas, no mundo dos profissionais das campanhas políticas, os debates são conhecidos como eventos com alto potencial destruidor e baixa capacidade de melhorar a posição de um candidato, especialmente se ele for o líder nas pesquisas eleitorais. Exatamente por isso, para Trump, o debate era uma oportunidade fundamental que muitos analistas consideram perdida.

E o resultado foi caótico.

Sob a tentativa de moderação do jornalista Chris Wallace, que aos 72 anos era o mais novo entre os três homens a ocupar o palco da Fox News, Biden e Trump protagonizaram um espetáculo agressivo e confuso durante 90 minutos, sem intervalos.

Por um lado, Trump falava não apenas no seu tempo, mas no do rival e até em cima das falas do moderador. Por outro, Biden foi lento nas respostas e partiu para ofensas pessoais ao chamar o republicano de “palhaço“, “mentiroso“, “racista” e “fantoche de Putin“. “Você vai calar a boca?“, disparou o ex-vice-presidente em dado ponto do evento. Wallace, o moderador, chegou a gritar com os dois candidatos em mais de uma ocasião. “Senhor presidente, eu sou o moderador desse debate“, ele precisou relembrar.

Veja abaixo alguns destaques do confronto caótico entre os candidatos:

1 – Verborragia de Trump e troca de ofensas
Falando muito desde o começo, Trump quase não deu espaço para o adversário, interrompendo inclusive o moderador e tornando difícil a distribuição do tempo.
Biden, irritado, chegou a pedir para que Trump se calasse para que pudesse falar: “Você quer se calar, homem?”.

Quando discutiam planos de saúde, Biden chamou o presidente de palhaço: “Tudo que ele está dizendo até agora é simplesmente mentira. Todo mundo sabe que ele é um mentiroso… você tem alguma ideia do que este palhaço está fazendo?

Ele chamou Trump de palhaço uma segunda vez e se corrigiu: “É difícil dizer qualquer coisa a este palhaço. Desculpe-me, a este presidente“.
Trump não ficou atrás e lançou provocações, respondendo às críticas sobre sua atuação em relação à pandemia de coronavírus dizendo que “você não deveria falar em esperteza comigo, não há nada de esperto em você, Joe“.

2 – Suprema Corte e fraude nas eleições
O presidente foi o primeiro a ser questionado, tendo que responder por que indicou Amy Coney Barrett para a Suprema Corte a pouco mais de um mês para a eleição presidencial.

Não fui eleito para três anos, fui eleito para quatro“, justificou Trump, embora em 2016 seu próprio partido tenha barrado uma indicação de um juiz feita em março por Barack Obama — sob a alegação de que ela não poderia ser feita em ano de eleição presidencial.

Ao fim do debate, os dois discutiram a segurança da votação e dos resultados das eleições. Trump sugeriu que pode haver fraude, especialmente nos votos pelos correios –uma teoria que ele apresenta há meses, sem comprovação.

Biden o acusou de “assustar” os eleitores para tentar convencê-los a desistir de votar e pediu que todos votem. Ele garantiu que é impossível que exista uma manipulação dos resultados e disse que irá aceitar o resultado oficial, aguardando a contagem total.

Trump então voltou a falar da Suprema Corte: afirmou que acredita ser possível que o tribunal tenha que intervir.

3 – Esquerda Radical
Trump acusou o candidato democrata de ser aliado da esquerda radical, uma estratégia antecipada por sua equipe. “Seu partido quer adotar a medicina socialista“, acusou, sendo rebatido pelo adversário.

Biden se distanciou da ala esquerdista de seu partido, mas sem acusá-los de nada, e afirmou sua autoridade: “O partido sou eu agora“.
Ao falar sobre os protestos ao redor do país e violência, Trump voltou a associar Biden à esquerda radical, dizendo que o democrata não afirmaria ser a favor da lei e da ordem, porque isso o faria perder os votos dessa ala de eleitores.

Em uma última tentativa de ligar Biden à esquerda radical, Trump disse que o plano ambiental do democrata era o “Green New Deal“, apoiado por políticos como Bernie Sanders, mas Biden respondeu: “Não apoio o Green New Deal. Apoio o plano Biden que apresentei”.

4 – Coronavírus
Durante a discussão do coronavírus, Trump insistiu na ideia de que a imprensa quer prejudicá-lo com uma imagem negativa, embora até mesmo governadores democratas elogiem suas iniciativas no combate à pandemia. Biden deu risada da afirmação.

Trump acusou Biden de querer manter os EUA fechados e disse que isso iria destruir o país. O democrata afirmou que era a favor de manter medidas de segurança necessárias para evitar o aumento do número de casos e mortes.

5 – Impostos
Ao falar sobre economia, o presidente foi questionado sobre seus impostos, após uma matéria do “New York Times” mostrar que ele pagou apenas U$ 750 em 2016, e Biden – que divulgou nesta terça seus impostos do ano passado – voltou a pedir que Trump faça o mesmo.

Eu paguei milhões de dólares em imposto de renda“, disse Trump, que desmentiu o jornal, mas voltou a repetir o mesmo que diz desde 2015, que mostrará os documentos quando “eles estiverem prontos”.

Biden disse que eliminaria os cortes de impostos feitos por Trump como estratégia para reaquecer as atividades econômicas do país e chamou o adversário de “o pior presidente que os Estados Unidos já teve“.

6 – Protestos, violência e racismo
Trump acusou Biden de querer tirar fundos da polícia, o que foi negado. O presidente também reafirmou que cidades governadas por democratas são mais violentas.

Biden negou categoricamente que pretenda retirar financiamento de forças policiais e afirmou que métodos violentos não são aceitáveis nunca.
A conversa foi levada a uma discussão sobre racismo, e o moderador lembrou que, durante protestos contra supremacistas brancos em Charlottesville, em 2017, Trump afirmou que havia “boas pessoas dos dois lados“. Wallace pediu então, que o presidente condenasse os grupos de extrema-direita e supremacistas brancos, como já fez com a extrema-esquerda e o movimento Antifa em várias oportunidades.

Trump então disse: “Proud Boys (grupo de supremacistas), recuem e fiquem na sua“. Ele, porém, prosseguiu: “Mas, vou lhe dizer uma coisa, alguém tem que fazer algo sobre a Antifa e a esquerda porque isso não é um problema de direita, é um problema de esquerda”.

7 – Brasil e suas florestas
Crítico da gestão ambiental de Trump, que retirou os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris, e da proximidade entre o presidente americano e o mandatário brasileiro Jair Bolsonaro, Biden aproveitou a discussão sobre aquecimento global e citou a destruição na Amazônia brasileira como um problema para o qual ele teria uma solução: dar dinheiro ao Brasil para conservá-la e, se isso não funcionar, submeter o país a sanções econômicas.

As florestas tropicais do Brasil estão sendo destruídas. Mais carbono é absorvido naquela floresta do que é emitido pelos Estados Unidos. Vou garantir que vários países se juntem e digam (ao Brasil): ‘Aqui estão US$ 20 bilhões, parem de destruir a floresta. E se vocês (Brasil) não pararem, então vocês sofrerão significativas consequências econômicas‘”, afirmou Biden.

Embora seja contundente e direta, essa não é a primeira declaração que o democrata ou sua vice, Kamala Harris, fazem críticas diretas ao Brasil ou a Bolsonaro por conta da destruição ambiental. A atual chapa democrata é considerada a mais crítica a um governo brasileiro na história da relação entre os dois países.

8 – Família – As famílias dos dois candidatos se tornaram combustível para o debate.
Primeiro, ao dizer que Biden não seria capaz de lidar com a atual disputa global com a China, Trump afirmou: “A China comeu seu almoço, Joe. Não é à toa que seu filho vai (à China) e tira bilhões de dólares. Tira bilhões de dólares para administrar (negócios). Ele faz milhões de dólares“.
O comentário é uma alusão aos serviços de consultoria prestados por Hunter Biden, filho de Biden, em países como China e Ucrânia. Os republicanos têm acusado Hunter de tirar proveito da proeminência do pai na política americana para fechar contratos lucrativos no exterior, prometendo algum tipo de tráfico de influência às empresas que o contratam. Biden negou as acusações durante o debate. Até hoje não há comprovação de que exista qualquer crime nesses negócios.

Biden reagiu: “Aqui está o acordo. Você quer falar sobre família e ética? Eu não quero fazer isso. (Sobre) sua família, podemos conversar a noite toda“.

Ivanka, filha de Trump, é uma de suas mais importantes assessoras na Casa Branca e o genro do presidente, Jared Kushner, é seu conselheiro para assuntos internacionais. Trump se defendeu dizendo que seus parentes “perderam uma fortuna” para ajudá-lo na administração do país.

Mais adiante, foi a vez de Biden citar outro de seus filhos, Beau, como um exemplo de herói americano por ter servido o Exército na guerra do Iraque. Biden queria fustigar Trump, acusado de ter chamado veteranos de guerra feridos ou soldados americanos mortos de otários e perdedores. Em resposta, Trump acusou Hunter Biden de ter sido expulso das Forças Armadas por uso de cocaína. Biden reconheceu que o filho sofreu com dependência química.

Meu filho, como muita gente, como muita gente que está em casa, teve problemas com drogas. Ele superou isso. Ele consertou. Ele trabalhou nisso. E estou orgulhoso dele“, disse Biden.

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