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Biden - Cultura - EUA - Internacional - Novo Normal - 12/01/2021

Governo Biden retira as Farc da lista de organizações terroristas

A retirada das Farc da lista não modifica, porém, a posição dos Estados Unidos sobre os processos judiciais iniciados ou previstos contra ex-líderes do grupo, sobretudo os suspeitos de narcotráfico, explicou Blinken

Da Redação (COM AFP) – O governo dos Estados Unidos decidiu retirar nesta terça-feira (30) as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de sua lista de organizações terroristas.
A medida do governo Biden foi anunciada na véspera da comemoração do quinto aniversário da assinatura do acordo de paz, na última quarta-feira (24), e foi confirmada nesta terça-feira por Washington. “O Departamento de Estado revoga a designação das Farc como organização terrorista estrangeira”, afirmou o secretário de Estado, Antony Blinken, em um comunicado.

“Após um acordo de paz de 2016 com o governo colombiano, as Farc foram dissolvidas e desarmadas oficialmente. Elas não existem mais como organização unificada dedicada ao terrorismo ou a atividades terroristas, ou com a capacidade ou intenção de fazê-lo”, acrescentou.

A retirada das Farc da lista não modifica, porém, a posição dos Estados Unidos sobre os processos judiciais iniciados ou previstos contra ex-líderes do grupo, sobretudo os suspeitos de narcotráfico, explicou Blinken.

Dasarmamento e o partido político Comum
A Colômbia celebrou os cinco anos do acordo histórico de 2016. A assinatura permitiu o restabelecimento da paz e o desarmamento das Farc, após um dos conflitos mais violentos e longos da América Latina, que deixou nove milhões de vítimas entre mortos, mutilados, sequestrados e desaparecidos. A guerrilha havia começado na década de 1960, em plena Guerra Fria como apoio a antiga União Soviética.
Ao grupo são atribuídas execuções sumárias, sequestros, assassinatos e tortura de milhares de pessoas, tanto Colombianos quanto estrangeiros.

Em virtude do tratado, as Farc transformaram-se no partido político “Comuns“, com representação garantida no Parlamento, mas sem grande influência nas urnas. O texto prevê reformas políticas e agrárias que devem ser aplicadas até 2031.

A decisão tomada nesta terça-feira ajudará Washington a apoiar a aplicação do acordo, por exemplo, ajudando ex-combatentes que entregaram as armas. Esta é uma questão importante, disse Diego Martínez, um dos negociadores que criou a Jurisdição Especial para a Paz (JEP) da Colômbia. “O fato de integrar a lista (das Farc) impedia entidades de cooperação americana a, por exemplo, investir na reintegração de ex-combatentes. Este é um passo significativo que vai ajudar na implementação do acordo de paz”, acredita Martínez.

Cerca de 13.000 guerrilheiros entregaram suas armas desde a assinatura do acordo.

Reconhecimento
O gesto americano foi também aplaudido na Colômbia pelo ex-comandante guerrilheiro, Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timochenko. “Saúdo a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de remover as Farc da lista de organizações terroristas. É um reconhecimento do nosso compromisso com a paz e nosso cumprimento rigoroso com o que foi decidido no Acordo de Paz”, escreveu ele no Twitter.

Os Estados Unidos designaram oficialmente as Farc como organização terrorista estrangeira em 1997, após seis décadas de confronto entre a guerrilha e o Estado colombiano. Em 24 de novembro de 2016, após negociações em Cuba, o grupo guerrilheiro depôs as armas e assinou o acordo de paz com o então presidente colombiano Juan Manuel Santos.

Apesar de o compromisso ter reduzido consideravelmente a violência, diversos grupos armados atuam no país, incluindo alguns dissidentes das próprias Farc.

(Com AFP)

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