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Biden - EUA - Local - Política - 11/02/2021

Eleição para governador na Virgínia virou disputa por procuração entre Trump e Biden

Mas seja qual for o resultado, terá repercussões políticas além da Virgínia - da Casa Branca até Mar-a-Lago

JSNEWS – O Ex-presidente Trump transmitiu seu apoio ao candidato do Partido Republicano ao governa da Virginia,  Glenn Youngkin, nessa segunda-feira, a disputa eleitoral naquele estado esta ressoando no cenário político nacional.

Trump disse em um comunicado que a mídia havia falsamente sugerido que havia uma distância entre ele e Youngkin. Em vez disso, disse ele, “nos damos muito bem e acreditamos fortemente em muitas das mesmas políticas”, insistiu Trump.

Na verdade, Youngkin teve o cuidado de manter Trump à distância durante a campanha para as eleições gerais. Trump não apareceu durante a campanha com Youngkin.

A disputada corrida para governador é, de certa forma, uma disputa por procuração entre Presidente biden e Trump.

Uma vitória de Youngkin daria um grande impulso aos republicanos em todo o país, e Trump quer se posicionar para receber uma parte do crédito e caso isso ocorra, os problemas de Biden, que incluem índices de aprovação em queda, dificuldade em conseguir a aprovação de sua agenda legislativa, restrições na cadeia de suprimentos e insatisfação pública em questões como inflação e uma escandalosa crise migratória.

Mesmo uma vitória apertada a favor dos Democratas na Virgínia provavelmente não será suficiente para acalmar o partido tendo em vista as eleições do próximo ano comprometendo até mesmo as ambições de uma sucessão democrata para a eleição presidencial de 2024, quando o espectro de Trump possivelmente ressurja.

No início da campanha na Virgínia, os democratas esperavam que seu indicado, o ex-governador Terry McAuliffe, desfrutasse de uma vitória vantajosa em um estado onde Biden venceu Trump por 10 pontos no ano passado. Embora a Virgínia já tenha sido um reduto do Partido Republicano, os Democratas ganharam todas as eleições estaduais desde 2009.

No entanto, a corrida apertou consideravelmente na reta final. Youngkin aproveitou a questão das escolas, os mandatos relacionados ao COVID-19, a desconfiança conservadora dos conselhos escolares locais e a controvérsia sobre o ensino da história americana, a crise nas fronteiras e a inflação. Esses temas são debatidos apenas na Virginia, mas nacionalmente.

Enquanto isso, a campanha de McAuliffe não conseguiu superar os relatos anedóticos das espalhados nas redes sociais acerca de uma apatia nacional que afeta a capacidade do Partido Democrata em aprovar sua agenda de governabilidade, a aprovação do governo Biden na Virginia esta na casa dos 40% conforme apontam várias pesquisas.

O resultado é que Youngkin parece ter o ímpeto no dia da eleição de hoje, terça-feira. O nível de entusiasmo em eventos de campanha recentes tem sido tangivelmente maior para Youngkin, mesmo nos subúrbios da Virgínia do Norte com tendências democratas.

Um evento de Youngkin em West Springfield na noite de sábado, por exemplo, teve uma multidão visivelmente mais entusiasmada do que aquela que compareceu à única apresentação de Biden com McAuliffe, em Arlington, vários dias antes.

Na segunda-feira, o Center for Politics da Universidade da Virgínia mudou sua classificação da corrida de “inclina-se para os democratas” para “inclina-se para os republicanos”.

“Sabemos, com base nas fracas avaliações de aprovação do presidente Biden, que o ambiente é, francamente, horrível para os democratas”, escreveram Kyle Kondik e J. Miles Coleman da universidade.

Certamente, pouca coisa deu certo para os democratas no período que antecedeu as eleições.

McAuliffe pressionou ansiosamente seus colegas de partido no Capitólio para que aprovassem dois projetos importantes apoiados por Biden. Fazer isso teria dado a ele algo para mostrar para o controle democrata da Casa Branca, Senado e Câmara. Em vez disso, esse processo ficou parado e em negociações internas e tortuosas. A legislação deve ser aprovada, mas será tarde demais para impulsionar McAuliffe.

O quadro mais amplo, de acordo com a estrategista democrata Julie Roginsky, é aquele em que “o que Biden e os democratas precisam fazer é dar [aos eleitores democratas] algo em que votar. No momento, há um sentimento entre os democratas de que eles chegaram à terra prometida em novembro passado e o partido em Washington não lhes entregou as coisas em que votaram ”.

Roginsky acrescentou: “A partir de hoje, não tenho certeza se os democratas têm algo para se energizar em nível nacional”.

Mas, além da noção óbvia de que Trump vai se gabar se Youngkin vencer, as lições da corrida são complicadas no que diz respeito ao ex-presidente.

Trump endossou Youngkin, e o candidato do Partido Republicano nunca o rejeitou abertamente, embora a eleição ocorra apenas 10 meses após a insurreição do Capitólio em 6 de janeiro.

Ao mesmo tempo os comerciais de TV de Youngkin são ‘não-Trumpianas’, posicionando-o como um homem de negócios afável, em vez de um porta-estandarte do MAGA.

McAuliffe está muito mais ansioso para enfatizar as ligações entre Trump e Youngkin. Logo após o e-mail de Trump na manhã de segunda-feira, McAuliffe emitiu sua própria declaração, que usou as palavras “Trump” ou “Trumpismo” 10 vezes em três parágrafos. “Glenn Youngkin fez toda a sua campanha para divulgar a agenda de Trump”, afirmou McAuliffe.

Alguns republicanos discordam. Eles dizem que o motivo pelo qual Youngkin está na contenção em um estado tingido de azul é porque ele manteve distância do ex-presidente.

De acordo com o estrategista GOP Doug Heye, Youngkin provou que “você não quer se opor a Trump, mas pode se colocar na mesma posição e não precisa ser apenas um acólito de Trump”.

Ainda é possível, é claro, que McAuliffe consiga uma vitória na terça-feira.

Mas seja qual for o resultado, terá repercussões políticas além da Virgínia – da Casa Branca até Mar-a-Lago.

Para ler o texto original em Inglês click aqui.

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