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Editorial - 03/05/2021

Editorial da edição 1425 – Dia Internacional da Mulher

Jehozadak Pereira
Era impensável algumas décadas atrás imaginar que as mulheres estariam no século 21 no comando de nações, tomando decisões, impondo regras de comportamento e sobretudo, não deixando de ser feminina. Muitas sociedades confundem submissão com sujeição e por isso oprimem cada vez as mulheres, a exemplo de algumas nações islâmicas, onde as mulheres não direito nenhum, a não ser ter filhos e mais filhos.

É inegável que a mulher conquistou ao longo das últimas décadas o seu tão sonhado e precioso espaço na sociedade a custa do seu esforço, luta e sacrifício. As portas não se abriram como num passe de mágica para elas, que desmentem a cada dia a pecha de sexo frágil.

O que dizer então de Rosa Parks, a mais exemplar de todas as mulheres americanas. Por causa dela, os Estados Unidos foram obrigados a mudar a questão dos direitos civis porque ela se insurgiu contra a segregação racial e inspirou todas as gerações futuras e tornou-se um ícone por causa da sua força e determinação.

Qual é o homem que aguentaria um trabalho de parto? Mulheres são fortes por natureza e muitas tem a determinação que falta em muitos homens e elas têm conquistado seus espaços seja no mercado de trabalho, seja na literatura, seja nas ciências e no cinema, entre outros postos importantes. Muitos confundem as lágrimas fáceis de uma mulher como sinal de fraqueza ou falta de coragem, quando na realidade elas são a prova de que a mulher é emotiva, quando o homem é racionalismo puro, e para quem o choro é demonstração de fragilidade.

A vice-presidente Kamala Harris fez parte da chapa vencedora da acirrada eleição presidencial e é tida como uma mulher de posições firmes e sempre com atitudes contundentes e marcantes. Especula-se que Biden não concorra a reeleição e que ela seja – com possibilidades de ganhar – a próxima presidente dos Estados Unidos. É só olhar a política para ver o quanto as mulheres avançaram. Angela Merkel é a primeira-ministra da Alemanha e Michelle Bachelet foi a presidente do Chile, Hilary Clinton é uma das mais influentes mulheres nos Estados Unidos, e foi senadora por causa disto e não pela influência de Bill Clinton. Não há como deixar de fora desta lista mulheres como Golda Meir e Indira Ghandi, que governaram como primeiras ministras Israel e a Índia respectivamente. Sem esquecer que muitas mulheres cristãs, especialmente nas últimas décadas se tornaram pastoras e ministras, ocupando lugares tradicionalmente masculinos.

Em muitos lugares nos Estados Unidos é possível encontrar igrejas numerosas que são dirigidas por mulheres. Mas, estes patamares são inacessíveis para milhões de mulheres, principalmente no ocidente, já que em algumas culturas, a mulher é um mero instrumento de reprodução sem direito algum. A mulher moderna não reclama de direitos que não tem. Ela vai a luta e os conquista, mesmo que tenha de batalhar muito para isto. Interessante notar que o Dia Internacional da Mulher se dá pouco depois do carnaval, onde muitas mulheres – principalmente mulheres brasileiras – que não se valorizam, ou buscam com a exposição dos seus corpos, que são importantes.

Hoje, a mulher em muitas partes do mundo cuida da casa, estuda, trabalha, educa os fi lhos, ocupa lugares que tradicionalmente são dos homens e fizeram e fazem, no dia-a-dia, história com suas atitudes e seu comportamento, e mereceriam linhas e mais linhas contando suas vidas. Se por um lado as mulheres tem mostrado toda a sua força e conquistas, por outro, ela nunca foi tão maltratada e violentada como agora.

Embora dirija caminhões gigantescos, pilote aviões, conduza trens e ônibus, ensine, medique e muitas vezes cuide dos seus filhos sem a ajuda dos pais, sirvam de companheiras, e respeitada fora de casa, ela é humilhada dentro dela, e muitas vezes não se dá conta de que sofre calada sem ter a quem recorrer. Sem contar as mulheres que são oprimidas por causa da religião ou por razões de estado.

Quem não se lembra dos fanáticos talibãs açoitando mulheres nas ruas do Afeganistão pelo simples motivo de que elas não estavam acompanhadas dos seus maridos, pais ou irmãos. Ou ainda das meninas africanas que são mutiladas a golpes de lâminas de barbear, por causa dos grotescos costumes tribais? Ainda assim se porta com dignidade mesmo quando maltratadas e violentadas nos seus direitos, e a despeito dos maus tratos segue em frente.

No Brasil cerca de 25% das mulheres sustentam integralmente as suas casas sem qualquer ajuda dos maridos, companheiros ou filhos. Nunca na história da humanidade a mulher avançou tanto como nos dias atuais, mas ainda é pouco diante do que há para ser conquistado, principalmente nas questões da violência e nos maus tratos que ainda sofrem. Todas as mulheres merecem o nosso respeito e consideração que nesta terça-feira, 8, celebra-se o Dia Internacional das Mulheres.

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