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Celebridades - Cultura - 03/05/2021

Crônicas do dia-a-dia: Uma louca na América

Edel Holz

Era uma vez… Gislaine. Ela era de Criciúma, veio para a América porque conheceu o Bartolomeu na internet e ele deu um jeito de traze-la de avião, classe executiva, com visto e tudo mais.

Bartolomeu era bem mais velho que ela, mas era bonitão. Corpão, sem barriga, cabelos grisalhos, gostoso mesmo. Ele estava se sentindo sozinho e claro, queria uma novinha pra faze-lo feliz na cama, na mesa e no banho… Gislaine era lourinha, baixinha, bonitinha, de olhos bem azuis. Ela nem bem chegou e já começou a dar trabalho…

Não podia comer nada que não fosse orgânico. Molho de tomate… pizza,sanduba e batata frita, nem pensar. Ela tinha um trem tão atrapalhado no estomago, que nem medico consegue falar o nome dessa doença. Pra mim era psicológico. Ela não tinha nada, só frescura mesmo.

Bartolomeu pensou que ia tirar a barriga da miséria com a menina de 20 anos, mas ela disse que era virgem e só daria seu mel pra ele depois do casamento. Ele fugia de casamento como o diabo da cruz. Mas pra sair da seca, o que que custava casar? Ela concordou com o casamento, mas disse que queria casar de véu, grinalda, flor de laranjeira e que sua mãe, seu pai, irmão e papagaio viessem pra cá com tudo pago.

Coitado do Bartolomeu… Ela tava achando que dinheiro aqui dava em arvore. E ele tinha umas economias. Mas não era muito… Antes do casório, ele arrumou um trabalho pra ela como housecleaner e ela disse: – Trabalhar aqui sem documento? Nem morta…So trabalho na hora que eu tiver o meu documento! Ou seja, queria ser sustentada, teúda e manteúda sem dar nada em troca pro Bartozinho, coitadinho…Nao tenho pena de homem nao.Mas do Bartolomeu eu tenho. Pois o”coitado do Bartolomeu” ja tava com seus 55 anos,cansado de trabalhar na construção e queria alguém que o ajudasse com as despesas da casa. Por que não? Mais essa… Uma mulher que ele não podia comer e ainda teria que sustentar… Ahhh… Se fosse eu mandava de volta pra Criciúma num voo econômico bem do apertado, que nem sardinha na lata ou descascando batata num navio. Um dia, Barto foi leva-la pra conhecer Park Street, no centro de Boston.

Ela tava demorando tanto pra sair de casa e ele a esperando no carro. Ele resolveu subir pra ver o que que ela tava aprontando.Ficou escondido na escada,que dava de frente pro seu ap e ela abria e fechava a porta, contando as vezes que fazia esse movimento de abrir e fechar.Quando chegou no 1200, ela girou a macaneta prum lado e pro outro, contando ate 180.Bartolomeu constatou que alem de tudo, ela tinha toque. Ele desistiu de apresenta-la ao Centro de Boston e vice-versa.

Entrou em casa sem falar uma palavra, tirou os sapatos, ligou a tv, pegou uma cerveja na geladeira e sentou-se no sofá. Calmamente, ele lhe disse:
-Faca suas malas que hoje mesmo você vai voltar pra Criciúma. Preciso de uma companheira. Não de uma parasita! Gislaine disse: -Eu não quero ir embora. Gosto de você, Bartolomeu! E ela beijou Bartolomeu da cabeça aos pés, fez Bartozinho ir pro céu e voltar mil vezes. Mandou `as favas o casamento e concretizaram o ato ali mesmo. No sofá, no chão, na parede, na mesa de jantar… Bartolomeu esqueceu todos os problemas e continuou a sustentar Gislaine ate o green card dela sair, pois ele era cidadão americano. E o toque? Ele fica no carro esperando por ela, enquanto ela abre e fecha a porta e gira a maçaneta 200 vezes. Mas quando eles chegam em casa, ele tira os sapatos, liga a tv, senta no sofá e ela vira uma louca em cima dele. Se eh medo de voltar pra Criciúma ou amor, ninguém sabe.
Mas que Bartolomeu gosta dos amassos dela ele gosta…Oh se gosta…

SOBRE A COLUNISTA
Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista,
diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos.
Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto
cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de
mente efervescente Edel.

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