FOLHAPRESS – O esfacelamento do PSDB ficou evidente na reunião da direção nacional da sigla, nesta terça (9), em Brasília. Num episódio atípico para seu perfil, Geraldo Alckmin, presidente do partido, chamou João Doria (PSDB), candidato da sigla ao governo de São Paulo, de “traidor”.

Doria participa do encontro e houve debate. A reunião acontece a portas fechadas e ainda não acabou. A Folha de S.Paulo confirmou o episódio com três fontes que estão no local. Um dos integrantes da sigla que relatou a discussão diz que o presidenciável ainda teria justificado: “Eu não sou falso”. O contexto das declarações ainda não está claro.

Alckmin foi o responsável pela ascensão de Doria dentro do PSDB. O presidenciável tucano comprou uma briga interna pesada para lançar o então aliado à Prefeitura de São Paulo, em 2016.

Após vencer a disputa, Doria passou a flertar com a ideia de concorrer à Presidência. Alckmin se impôs, saiu candidato ao Planalto e Doria deixou a prefeitura para disputar o governo do estado. Ao longo da campanha, porém, com o padrinho político passando por dificuldades, o ex-prefeito subiu o tom de seu discurso, aproximando sua fala da de Jair Bolsonaro (PSL).

No domingo (7), logo após a votação do primeiro turno, quando Alckmin já havia perdido e o PSDB amargava o pior resultado desde sua fundação, Doria declarou apoio a Bolsonaro.

Candidato ao governo paulista, Doria está em uma ofensiva para tirar Alckmin do comando nacional do PSDB. O ex-prefeito disputa o governo paulista e quer tomar controle do partido, aproveitando-se da derrota de Alckmin na eleição presidencial.
Desde domingo, quando o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, aliado de Doria, defendeu que Alckmin deixe a presidência do PSDB, o grupo do candidato a governador se movimenta para enfraquecer adversários internos.

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