Home Massacre Vídeo mostra míssil atingindo avião ucraniano, diz ‘New York Times’
Massacre - Mundo - Política - 2 semanas atrás

Vídeo mostra míssil atingindo avião ucraniano, diz ‘New York Times’

Mais cedo, premiê canadense afirmou ter evidências de que um míssil do Irã derrubou o avião, matando 176 pessoas.

COM BBC – G1

O jornal “The New York Times” divulgou nesta quinta-feira (9) um vídeo que aparenta mostrar o momento em que o avião ucraniano que caiu no Irã e matou 176 pessoas é atingido por um míssil.

“Para analisar o vídeo, confirmamos que ele foi filmado perto da rota de voo do avião a partir de Teerã” , explicou o diário americano.
Segundo o jornal, o vídeo mostra que uma pequena explosão aconteceu quando o míssil atingiu o avião, mas o avião em si, em um primeiro momento, não explodiu: continuou voando por alguns minutos e virou na direção do aeroporto. A aeronave então continuou voando, em chamas, para o aeroporto antes de explodir e bater no solo, segundo mostram outros vídeos verificados pelo “The New York Times”.

A filmagem foi obtida pelo jornal de uma pessoa chamada Nariman Gharib. A aeronave caiu na quarta-feira (8) em Parand, perto de Teerã, a capital iraniana. Ninguém a bordo sobreviveu.

 

Negativas iranianas
Em nota, um porta-voz do governo do Irã afirmou que os relatos de que um míssil atingiu o avião são uma “guerra psicológica” contra Teerã, e que o país está aberto à presença de representantes de outros países cujos cidadãos morreram na queda do avião.

Havia passageiros de 7 nacionalidades na aeronave: Irã, Canadá, Ucrânia, Afeganistão, Suécia, Reino Unido e Alemanha. O ministro de Relações Exteriores canadense, François Champagne, disse que as autoridades do país receberam indicações de que podem proceder para obter vistos iranianos. O Canadá rompeu as relações diplomáticas com o Irã em 2012.

O porta-voz do ministério de Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi, disse que o país pede ao Canadá que compartilhe informações sobre a queda do avião com Teerã. O governo também disse que “pede de forma insistente” à Boeing, empresa fabricante do avião, que envie um representante para participar da investigação da queda.

Premiês canadense e britânico

Mais cedo, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou que múltiplas fontes de inteligência apontam que o avião foi derrubado por um míssil iraniano. Trudeau afirmou que a derrubada pode ter sido acidental, mas apontou que a investigação do caso precisa ser completa.

“Temos inteligência de várias fontes, incluindo nossos aliados e nossa própria inteligência. As evidências indicam que o avião foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional”, disse.
Trudeau ainda disse que está em diálogo com a chancelaria iraniana — 63 dos 176 passageiros que estavam no avião eram canadenses, e 138 deles tinham o Canadá como destino final. Teerã estaria mostrando abertura para permitir que agentes consulares canadenses fossem ao Irã para ajudar as famílias das vítimas.

Segundo o líder canadense, ainda é cedo para atribuir culpa pelo desastre ou tirar conclusões.

Logo após a fala de Trudeau, o premiê britânico, Boris Johnson, corroborou a fala de seu colega do Canadá: “Existe agora um conjunto de informações de que o voo foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional “, declarou.

Ainda antes das declarações dos premiês, a imprensa americana divulgou que autoridades de Washington compartilham da visão de que a aeronave ucraniana foi atingida por um míssil. O Irã negou essa possibilidade. Nenhuma das 176 pessoas que estavam a bordo sobreviveu à queda.

Cientificamente impossível, diz Irã

Mais cedo, o chefe de aviação do Irã, Ali Abedzadeh, declarou em resposta que “cientificamente, é impossível que um míssil tenha atingido o avião ucraniano, e esses rumores não têm lógica”, segundo a agência estatal iraniana Isna.

“Se um foguete ou um míssil atinge um avião, ele cai em queda livre”, afirmou Abedzadeh à CNN. Ele disse, ainda, que depois de decolar o avião continuou voando por cinco minutos, e que “o piloto tentou voltar ao aeroporto mas não conseguiu”.

Um relatório inicial da autoridade iraniana de aviação civil divulgado mais cedo nesta quinta (9) informou que o avião pegou fogo antes de cair.

Segundo o correspondente da BBC para assuntos iranianos, Ali Hashem, Abedzadeh disse ainda que “havia vários voos domésticos e internacionais voando na mesma altitude de 8 mil pés [cerca de 2,4 mil metros], que não pode ser alcançada de jeito nenhum”.

Abedzadeh também disse, de acordo com Hashem, que “os rumores de que o Irã se recusou a entregar a caixa-preta do avião aos Estados Unidos não são precisos”. Na quarta (8), a Organização da Aviação Civil do país havia anunciado que não entregaria as caixas-pretas, violando as regras da Convenção Internacional de Aviação Civil, do qual o Irã é signatário.

De acordo com a CNN, o relatório inicial mostra que as caixas-pretas do avião foram danificadas, mas as “partes da memória” permanecem em ambos os dispositivos.

Abedzadeh declarou que especialistas ucranianos chegaram a Teerã nesta quinta (9) para decifrar o conteúdo das caixas – e que, se “o equipamento disponível não for suficiente para obter o conteúdo”, o Irã pode enviá-las para a França ou o Canadá.

Trump também afirmou nesta quinta-feira (9) que “em algum momento, eles [se referindo ao Irã] vão liberar a caixa-preta. Idealmente, eles a entregariam à Boeing”, declarou o presidente americano, acrescentando os objetos também poderiam ser entregues à França ou a “algum outro país”.

De acordo com o jornal americano “The New York Times”, os iranianos convidaram o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos a ajudar na investigação. O convite foi feito por meio da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês), informaram fontes anônimas ao jornal. A solicitação foi feita apesar de relatos anteriores de que os americanos não estariam envolvidos nas apurações.

A Convenção Internacional de Aviação Civil, da qual o Irã é signatário, prevê que fica responsável pela investigação o país onde a aeronave caiu (ou de onde ela partiu) – nesse caso, o Irã. Porém, a convenção prevê que o país fabricante (os EUA) e a empresa que o produziu, que é a Boeing, participem da investigação e tenham acesso às informações das caixas-pretas imediatamente.

Deixe um comentário

Leia também

Centenas de migrantes cruzam fronteira da Guatemala com México rumo ao “paraíso”

Com Informações : Deutsche Welle e FolhaPress. Confrontos foram registrados nesta segunda-…