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Mundo - Novo Normal - Política - 11/24/2020

Sem reconhecer Biden, Putin diz que trabalhará com qualquer líder dos Estados Unidos

A Rússia é acusada pelas agências de inteligência americanas de intervir em 2016 para ajudar a eleger Trump, mas relações exteriores entre os governos russo e americano estão tensas. Os Estados Unidos impuseram sanções adicionais ao país, além de abandonar alguns tratados de controle de armas que Moscou deseja renegociar

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que está pronto para trabalhar com qualquer líder dos Estados Unidos e vai parabenizar qualquer um que se comprove vencedor das eleições presidenciais – mas apenas quando as formalidades legais forem resolvidas. Diferentemente de contrapartes de França, Alemanha e Reino Unido, Putin é um dos poucos é um dos poucos líderes mundiais proeminentes que ainda não se manifestou sobre a vitória do presidente eleito Joe Biden.

O atual presidente, Donald Trump, ainda contesta a vitória do democrata, incluindo através de ações judiciais, por acusações de fraude, sem evidências. O silêncio de Putin até o momento contrasta com o cenário de 2016. Quando Trump foi eleito, o líder russo demorou apenas poucas horas para telefonar e parabenizar o magnata.

Trabalharemos com qualquer pessoa que tenha a confiança do povo americano”, disse Putin, em comunicado à TV estatal russa, completando que o vencedor deve ser reconhecido pelo partido adversário. Caso contrário, o resultado final da eleição deve ser confirmado de forma legítima e legal pelos tribunais, afirmou.

O anúncio vai de acordo com um comentário anterior do Kremlin de que esperaria pelos resultados oficiais da eleição presidencial americana antes de se manifestar sobre a questão.

Putin é um dos poucos líderes mundiais que ainda não parabenizaram o democrata por sua eleição, mesmo após o resultado ter sido confirmado pela mídia americana há mais de duas semanas e depois da recontagem de votos na Geórgia, que confirmaram Biden como vencedor.

A Rússia é acusada pelas agências de inteligência americanas de intervir em 2016 para ajudar a eleger Trump, mas relações exteriores entre os governos russo e americano estão tensas. Os Estados Unidos impuseram sanções adicionais ao país, além de abandonar alguns tratados de controle de armas que Moscou deseja renegociar. Nesta segunda-feira, 23, os EUA deixaram unilateralmente um tratado militar.

Contudo, Moscou teme um aumento na pressão com sanções durante um governo Biden, devido a violações dos direitos humanos no país. Além disso, Trump foi bom para o presidente russo em um sentido mais geral, priorizando o comércio aos valores e defendendo que os Estados Unidos não devem ter o papel de “polícia global”. Isso se alinha com a visão de Putin de um mundo multipolar, com o poder americano reduzido.

Com o republicano fora do governo, Putin terá que lidar com um presidente internacionalista tradicional. Quando questionado se a mudança poderia prejudicar as relações entre os países, contudo, ele disse que “não há nada a prejudicar. Elas já estão arruinadas.”

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