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Brasil - Mundo - Saúde - 2 semanas atrás

Outubro Rosa: homens também podem ser acometidos pelo câncer de mama

É raro, mas existe a possibilidade; especialista nos explica tudo sobre a doença

Da Redação – O Outubro Rosa chegou, e precisamos lembrar que os homens também podem ser acometidos pelo câncer de mama. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), a população masculina será responsável por 1% dos mais de 66.000 casos estimados para este ano. O Atlas de Mortalidade por Câncer registrou, em 2019, a morte de 18.068 mulheres e de 227 homens acometidos pela doença.

Estudos mostram que a média de idade dos homens que apresentam a doença varia de 50 a 70 anos. “Como o câncer de mama no homem é uma doença rara, ela é bem menos estudada do que na mulher”, começa nos explicando o Dr. Eduardo Carvalho Pessoa. “A maioria dos dados que temos sobre câncer de mama no homem, sobre tratamento, são aproximações de estudos realizados em mulheres. Quando a gente fala sobre esse universo, dos 100% dos cânceres de mama que existem, 1% acontece nos homens”, diz ele.

Causas
“Um dos principais fatores de risco do câncer de mama no homem é uma alteração no gene que faz o reparo do nosso DNA, que chama BRCA”, nos mostra o Dr. Eduardo. Além disso, segundo o profissional, há outras causas como idade avançada, histórico familiar e a questão hormonal. “Quando há um excesso de hormônio feminino no homem, há um aumento do risco de câncer de mama masculino. Dentre as situações que podem levar a este excesso, estão doenças do fígado, obesidade, e a própria ginecomastia – crescimento da mama excessiva no homem”, explica.

Entretanto, o principal fator para o homem ser acometido pela doença é a alteração genética, que, no câncer de mama masculino, está ligado ao gene BRCA2. “No homem, por ser uma doença rara, são situações especiais que aumentam o risco”, completa o médico.

Diagnóstico
“A principal coisa é o homem saber que existe o câncer de mama masculino”, alerta o Dr. Eduardo. “Uma vez que ele tenha essa educação, tem que saber sobre, ir ao médico, e ser colocado num grupo de risco ou não para a doença [idade avançada, obesidade, casos de câncer de mama na família ou histórico de alteração genética do BRCA2 na família]”, diz o médico. Ele completa que, caso seja deste grupo, “o ideal é fazer um treinamento para ele aprender a fazer um autoexame, que consiste em aprender a tocar a mama, ver o que é normal ou não nesta região do corpo. A segunda coisa é fazer exame clínico anual da mama a partir dos 35 anos [os homens de risco]”.

Segundo o médico, na população americana, onde os números relacionados são mais precisos, a ameaça de um homem ter câncer de mama é de 1 para 1000. Entretanto, nas mulheres, é de 1 para 8. “Nos últimos anos, houve um aumento do risco. Na década de 70, havia 0,8 casos de câncer para cada 100.000 habitantes. Agora, nos anos 2000, 1,4 casos para cada 100.000”, mostra o médico. Esse aumento está ligado a eventuais quilos extra, diminuição da atividade física e, também, uma vida mais longeva. “Homem dos anos 2000 vive mais que o dos anos 70”, completa o profissional.

Se perceber que há um caroço atrás do mamilo, Dr. Eduardo fala sobre os passos seguintes. “Achou o nódulo? O médico vai pedir ultrassom para quem tem menos de 25 anos. Para quem tem mais, vai fazer mamografia. Confirmou a suspeita, vai fazer uma biópsia. E aí, com isso se chega ao diagnóstico” detalha.

Sintomas
O Dr. Eduardo nos explica que, na grande maioria das vezes, o sintoma principal é o nódulo (caroço endurecido) atrás do mamilo – e ele não dói, em muitos casos. “Por isso, às vezes o homem pensa que não é nada e acaba postergando o diagnóstico”, diz o profissional. “A partir daí, está a importância do exame clínico anual do grupo de risco”.

Tratamento
Antes de iniciar o tratamento contra o câncer de mama, a pessoa terá de realizar exame para descobrir se a doença está localizada na mama, ou se foi para algum outro órgão. A partir disso, inicia-se todo o processo.

Dr. Eduardo nos explica que, atualmente, há quatro tipos de câncer de mama: “dois tipos hormonais, um tipo que tem o receptor de membrana chamado HER e o outro tipo chamado de triplo negativo”, conta. “Estudos americanos mostram que 99% dos cânceres nos homens têm receptores hormonais. Apenas 9% dos cânceres masculinos têm HER”, explica. “Isso é importante porque o tratamento de câncer, seja no homem ou na mulher, é apoiado por três bases: cirúrgica, radioterapia e quimioterapia”.

A partir daí, “o tratamento (inicial), na maioria das vezes, nesses tumores hormonais, é a cirurgia para retirada do nódulo. O processo que acaba sendo proposto, ou mais realizado, é a mastectomia, que é a retirada total da mama”, nos explica o profissional.

“Fez a cirurgia e não observou doença nos linfonodos, o homem pode se livrar da radioterapia”, diz ele. “A quimioterapia vai depender do estágio da doença, como está a saúde do paciente, se aguenta o tratamento, etc”.

Chances de cura

“As chances de cura são as mesmas da mulher: muito altas. Desde que o diagnóstico seja precoce”, alerta o profissional. Dr. Eduardo ainda pontua que “o homem tem um diagnóstico mais tardio do que a mulher. Então, quando comparado à sobrevida da mulher, é menor. A expectativa de vida do homem, também, é menor do que a da mulher”, finaliza.

Fonte: Dr. Eduardo Carvalho Pessoa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia-SP

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