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Mundo - Novo Normal - Saúde - 3 semanas atrás

Imunidade de grupo com a variante Delta é “inatingível”, alerta estudo

Da Redação – A esperança dos governos de acabar com a pandemia Covid-19 eram as vacinas. No entanto, o surgimento de novas variante mais resistentes a vacinas vão obrigar os países a mudarem sua estratégia para lidar com a pandemia. Esta é a conclusão a que chegaram os especialistas da ‘The Economist Intelligence Unit’, uma divisão de negócios ligada à revista “The Economist”.

Os especialistas publicaram um relatório no qual argumentam que as vacinas, embora “sejam o primeiro passo crucial na luta contra a pandemia”, uma vez que “oferecem proteção contra infeções, doenças graves e morte”, na realidade “não são elas a solução que os governos esperavam”.

Isto porque, de acordo com o estudo, as vacinas “não previnem as infecções”, o que vai “obrigar os governos a repensar a sua estratégia”, pois viver com Covid-19 será “o novo normal”, alertam.

Segundo a pesquisa, as “características da variante Delta significam que as vacinas por si só não são suficientes para controlar o vírus”, uma vez que este é “muito mais transmissível do que a cepa original” e as pessoas vacinadas parecem ter altas cargas virais, o que aumenta o risco de propagação da doença”,

Desta forma, a conclusão da pesquisa é contundente: “Com a variante Delta, o limite global da imunidade de grupo parece ser inatingível”, disseram os especialistas.

A equipe que produziu o relatório concluiu ainda que “é improvável que a abordagem ‘zero Covid’, adotada por vários países (incluindo Austrália, China e Nova Zelândia), seja sustentável a longo prazo”, porque tais políticas “representam uma oportunidade econômica perdida.”

O documento chama também a atenção para o custo económico e social da desigualdade global na distribuição de vacinas e prevê que os países que não imunizaram 60% da sua população até meados de 2022, podem registrar perdas de 2,3 bilhões de dólares entre 2022 e 2025.

“Até ao final de agosto, cerca de 60% da população dos países mais riscos tinha recebido pelo menos uma dose da vacina do coronavírus”, explicam os especialistas, acrescentando que “pelo contrário, as campanhas de vacinação estão avançando em ritmo lento nas economias mais pobres”.

Agathe Demarais, diretora da Global Forecasts e autora do relatório, acredita que “há poucas hipóteses de que a lacuna no acesso às vacinas seja ultrapassada” e isso prende-se com o fato de que as economias mais desenvolvidas estão focadas no “reforço da administração de doses”, o que agravará a escassez de matéria-prima e causará “lacunas na produção”.

Essa desigualdade, adianta a responsável, “terá sérias consequências de longo prazo”, como a crise das viagens, os problemas económicos e o “ressentimento crescente nos países emergentes”.

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