O ditador comunista que governa a Venezuela, Nicolás Maduro, pediu a seu colega dos Estados Unidos, Donald Trump, que abra as fronteiras do seu país para receber as centenas de imigrantes centro-americanos que atravessaram a região, ena semana que passou, para buscar um melhor futuro no norte do continente.

“Eu vejo com dor o que está acontecendo na América Central. Milhares, dizem que já são mais de oito mil homens e mulheres centro-americanos que começaram uma grande caminhada para os Estados Unidos levando sua dor, sua miséria, sua pobreza, sua necessidade”, disse Maduro em um ato político realizado no sábado, em Caracas.

Em discurso transmitido de forma obrigatória por todas as emissoras de rádio e de televisão, o presidente venezuelano afirmou que o “capitalismo vendedor neocolonial” é o responsável por esta crise migratória.

“A dependência dos governantes centro-americanos ao poder imperial gringo, eles são os responsáveis que afundaram a América Central na miséria, na demora, na necessidade, no despotismo durante séculos de ditadura, intervenções militares, governos corruptos, bandidos”, prosseguiu Maduro.

Desde sábado passado, milhares de hondurenhos caminham pela América Central rumo aos Estados Uinidos, onde esperam conseguir trabalho e escapar da violência que vivem nos seus lugares de origem. Maduro transmitiu “toda a solidariedade e o amor do povo bolivariano da Venezuela, toda a companhia a estas pessoas” e pediu a Trump recebê-los de braços abertos nos EUA.

“Faço um apelo ao presidente Donald Trump para que abra as fronteiras dos Estados Unidos e respeite os migrantes centro-americanos […], que abra as portas e em vez de estar gastando bilhões em mísseis, em bombas para a guerra, invista esse dinheiro em fazer solidariedade cristã, em dar apoio aos povos centro-americanos”, finalizou Maduro.

Caravana

Milhares de imigrantes hondurenhos partiram de seu país em uma grande caravana, rompendo na sexta-feira uma cerca para cruzar a ponte na fronteira da Guatemala com o México, na esperança de seguir para os EUA.

Ao longo da jornada dos hondurenhos, Trump fez ameaças com uma série de retaliações, que vão do fechamento da fronteira à suspensão do Nafta. A Casa Branca também ameaçou cortar ajuda a Honduras, El Salvador e Guatemala se a caravana não fosse contida.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, demonstrou apoio à caravana de hondurenhos que chegou ao país na sexta-feira, mas afirmou que não permitiria a entrada de imigrantes irregulares no território nacional.

“Como qualquer país soberano, o México não permitirá a entrada em seu território de maneira irregular e muito menos de forma violenta”, afirmou Peña Nieto, ao ressaltar a disposição de apoiar os migrantes que desejam entrar “respeitando as leis”.

Plano de retorno

Os governos da Guatemala e de Honduras acertaram dar início a um plano de “retorno seguro” para que os milhares de imigrantes hondurenhos que começaram a fazer uma travessia para chegar aos Estados Unidos possam voltar ao seu país.

O secretário da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres da Guatemala, Sergio Cabañas, explicou que a iniciativa, organizada pelos dois governos, pretende assegurar o retorno por terra dos 3 mil hondurenhos que estão na fronteira com o México e que queiram voltar. Cerca de 2 mil já voltaram de forma segura ao seu país.

Ele disse que o objetivo do plano, que tem a participação de 12 instituições, é a mudança via terrestre dos hondurenhos de Tecun Uman, fronteira entre Guatemala e México, para Corinto, na divisa entre Guatemala e Honduras.

Ao todo, cinco centros em toda Guatemala estarão habilitados a receber os interessados e tratar situações que envolvam atendimento médico, alimentação e direitos humanos.

Sobre os que não quiserem voltar, Cabañas disse que o México facilitará o processo para quem tiver documentos de entrada e que não passará por “negociação” com as autoridades hondurenhas.

Questionado se o número poderia ser maior, dado que a Casa do Migrante disse ter atendido 10 mil imigrantes, ele afirmou que, por enquanto, não há exatidão nos números, mas que as autoridades trabalham para verificar quantas pessoas cruzaram efetivamente a fronteira.

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