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EUA - Mundo - Novo Normal - Policial - 04/01/2021

Consumo de drogas por George Floyd vira elemento central no interrogatório de sua namorada

JSNEWS – O advogado do ex-policial Derek Chauvin, acusado de ter causado a morte de George Floyd, começou nesta quinta-feira (1º) a construir sua defesa durante o processo que acontece atualmente em Minneapolis. Ele interrogou a namorado da vítima, que relatou a luta do casal para abandonar as drogas.

Courteney Ross, que manteve um relacionamento com o Floyd de 2017 até sua morte, em 25 de maio de 2020, foi a primeira pessoa próxima da vítima a testemunhar no julgamento, após três dias de depoimentos que colocaram em dificuldade a defesa de Chauvin.

A mulher de 45 anos respondeu às perguntas com emoção na voz, interrompendo sua fala por momentos de choro e soluços.

“Floyd e eu vivemos a clássica história do vício em opiáceos”, afirmou ao ser questionada pelo promotor Matthew Frank sobre a relação do casal com a drogas. “Ficamos viciados e tentamos muito interromper o vício, muitas vezes”, acrescentou Ross. Ambos tinham receita para comprimidos opioides sedativos e, após se viciarem, passaram a comprar essas drogas na rua ou no mercado paralelo.

Segundo a namorada, apesar do vício, Floyd, um homem que tinha quase 2 metros de altura e pesava 100 quilos, mantinha um estilo de vida saudável e praticava exercícios diariamente. “Ele estava treinando com pesos que eu não conseguia nem levantar”, afirmou a mulher, que acha que lidar com vícios é uma luta para toda a vida.

Depoimentos transmitidos pela televisão

Um dos principais argumentos da defesa do ex-policial é o fato de que, no momento de sua morte, Floyd estava sob efeito de fentanil (um opioide sintético), o que teria contribuído para sua morte. Por essa razão, o advogado de defesa de Chavin, Eric Nelson bombardeou Ross com perguntas sobre a natureza das drogas usadas, como o casal as obteve e um episódio em março em que Floyd teve uma overdose e teve de ser hospitalizado.

A estratégia de Nelson gerou indignação na família Floyd, que denunciou “uma tática fácil quando você sabe que tem os fatos contra você”. Em um comunicado, os advogados dos familiares disseram que “existem dezenas de milhares de americanos que lutam contra a automedicação e o vício em opiáceos e são tratados com dignidade, com respeito e apoio e não com brutalidade”. Eles afirmaram confiar na capacidade do júri de enxergar mais longe.

O processo em Minneapolis é acompanhado com expectativa nos Estados Unidos. Muitas emissoras de televisão transmitem trechos ao vivo com os depoimentos, depois que a morte do afro-americano Floyd desencadeou uma onda de protestos contra o racismo não vista há décadas.

Floyd morreu depois que Chauvin o imobilizou por vários minutos colocando o joelho em seu pescoço. O ex-policial, que se declarou inocente, pode pegar até 40 anos de prisão se for condenado pela acusação mais grave: homicídio em segundo grau.

A historia de Floyd e Ross

Depois de depor a ex-namorada de Floyd foi convidada a contar como eles se conheceram. “É uma das minhas histórias favoritas”, disse ela e então descreveu o encontro com Floyd em Minneapolis quando ele era um dos seguranças de um acampamento de reabilitação mantido pelo do Exército de Salvação em agosto de 2017. Na época, Courteney Ross disse que tinha ido a esse acampamento para visitar o pai de seu filho, que estava internado lá.

Ross disse que ela ficou chateada no saguão do centro de reabilitação porque o pai de seu filho não desceu para falar com ela, foi quando ela foi abordada por Floyd que perguntou se ela estava bem e ela respondeu que não, então Floyd perguntou se poderia orar por ela. “Ele disse: ‘Então, posso orar com você?'” disse ela em lágrimas. “Eu estava tão cansada e tínhamos passado por tanta coisa, meus filhos e eu, e essa pessoa gentil que veio até mim e  e disse: ‘Posso orar por você’ quando me senti sozinha naquele saguão, isso foi apenas Floyd”, disse ela.

Pouco depois de se conhecerem, Ross disse que ela e Floyd começaram a namorar. Ross também disse que eles foram “muito próximos” nos anos seguintes e até sua morte em maio.

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