FOLHAPRESS (Por: Guilherme Genestreti)

Cinco dias após o último ataque à embaixada brasileira em Berlim, o clima é de apreensão. A polícia alemã ainda não informou se já sabe qual grupo está por trás dos atos, mas funcionários da missão diplomática afirmam ter adotado novas medidas para prevenir outros incidentes.

Todas as vidraças da fachada lateral do prédio foram depredadas e ainda não foram trocadas. São 16, ao todo. Também persistem marcas da tinta preta que foi atirada ali, sobretudo em borrões negros no chão. Os pigmentos vermelhos, despejados sobre a placa na fachada da frente do edifício, já foram removidos.

“Entregamos as imagens das câmeras e tivemos reuniões sobre que medidas adotar, ma, por motivos de segurança, não posso dizer quais providências foram tomadas”, diz Evandro Zago, que chefia o setor de imprensa do órgão. Trabalham ali cerca de 60 pessoas, que não estavam no expediente quando ocorreram os dois ataques, ambos de madrugada.

Desde a posse de Jair Bolsonaro, a sede da missão brasileira em Berlim foi vandalizada duas vezes. Na primeira delas, em janeiro, um grupo pichou os dizeres “Lutaremos contra o fascismo no Brasil”. Na segunda vez, no último dia (1º), as paredes de vidro foram estilhaçadas e salpicadas com tinta preta e tinta vermelha.

“Não sabemos se os ataques têm relação entre si nem se os responsáveis são alemães, brasileiros ou se são gente dos dois países”, diz Zago. Segundo ele, duas pessoas participaram do primeiro ato, e seis do segundo, registrados pelas câmeras instaladas na marquise. “Quando o segundo aconteceu, ainda não se sabia quem tinha cometido o primeiro.”

No começo da semana, a imprensa alemã noticiou que um texto anônimo foi publicado no site de.indymedia.org, que reúne convocações a manifestações de esquerda, reivindicando autoria do segundo ataque. O artigo, em alemão, afirma que a data foi escolhida para marcar um mês do governo de Bolsonaro e que o ato foi um apoio à luta dos movimentos agrários, feministas, transgêneros e antifascistas no Brasil.

Seja por causa dos ataques ou não, a embaixada cancelou a tradicional recepção que faz todos os anos aos cineastas brasileiros que participam do Festival de Berlim, que começa nesta quinta (6). Conforme antecipado pela Folha de S.Paulo, membros da delegação nacional receberam ligações de funcionários da missão diplomática comunicando a suspensão do encontro.

Nas redes sociais, membros do setor ficaram alvoroçados e muitos levantaram a hipótese de que o coquetel tenha sido desmarcado para evitar constrangimentos. É que o principal longa brasileiro do festival é “Marighella”, cinebiografia dirigida por Wagner Moura sobre o guerrilheiro de esquerda – figura malquista pelo novo presidente.

Indagado, Zago preferiu não explicar o motivo do cancelamento. “Levamos em conta uma série de fatores”, disse.

A embaixada brasileira em Berlim fica numa rua que concentra várias sedes de representação diplomática. Seu prédio de seis andares e fachada envidraçada dá as caras para uma praça contornada pelo rio Spree. Do outro lado da via fica o museu Märkisches, num suntuoso edifício de tijolos. Quando a noite cai, ao som dos corvos pendurados nas copas secas, a praça fica ainda menos movimentada.

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