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Cultura - Curiosidades - Mundo - Saúde - 04/04/2020

1920: Apesar de todos os sinais, o mundo não se acabou.

Então em fevereiro de 1920 uma euforia geral tomou conta da população que sobreviveu ao esperado “fim do mundo”, levando aos extremos a licenciosidade e a libertação dos pudores reprimidos a tal ponto que em 1938, referindo-se a esse período "escandaloso" para a época, Carmem Miranda gravou: “E o Mundo Não se Acabou”

JCEditores

Não deveríamos ter medo desta pandemia, afinal de contas sobrevivemos a tantos desafios, eu me lembro das historias contadas no meio familiar sobre a gripe espanhola, pois há cem anos, em 1920, a pandemia da Gripe Espanhola, que assolou o mundo entre 1918 e 1919, vitimando mais de 50 milhões de pessoas, havia chegado ao fim e se tornando um dos desastres mais letais da história humana.

No clima de horror e desespero gerado pela pandemia, houve diversas explicações para o seu acontecimento. Havia quem pensasse que o apocalipse que estava por vir finalmente chegou. A guerra e a peste seriam então apenas uma punição divina pelos pecados cometidos, pela falta de religião, pela devassidão e pelo materialismo.

Quando a pandemia chegou ao Brasil em 1918, as autoridades levaram à imposição de medidas sanitárias restritivas parecidas com a declaração de “estado de emergência” decretado pelo governador de Massachusetts Charlie Baker, como o fechamento de escolas e estabelecimentos comerciais, proibição de festas populares e eventos esportivos para evitar a aglomeração de pessoas e a fim de reduzir atividades que exigiam maior contato interpessoal. Foram meses em que a vida social ficou limitada ao máximo.

Consequentemente, no Brasil daquela época, durante o primeiro festejo popular de maior dimensão, o Carnaval, que ocorreu após o término da doença, houve um descontrole dos sentidos. Então em fevereiro de 1920 uma euforia geral tomou conta da população que sobreviveu ao esperado “fim do mundo”, levando aos extremos a licenciosidade e a libertação dos pudores reprimidos a tal ponto que em 1938, referindo-se a esse período “escandaloso” para a época, Carmem Miranda gravou: “E o Mundo Não se Acabou”.

A música, composta por Assis Valente, expressa a atmosfera apocalíptica do contexto pandêmico.

“Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar/Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar… acreditei nessa conversa mole/Pensei que o mundo ia se acabar/E fui tratando de me despedir/E sem demora fui tratando de aproveitar/Beijei na boca de quem não devia/Peguei na mão de quem não conhecia/Dancei um samba em traje de maiô/E o tal mundo não se acabou… Ih! Vai ter barulho e vai ter confusão/ Porque o mundo não se acabou”.

E assim se passaram cem anos. Acredita-se que a pandemia de 1918 tenha sido provocada pelo vírus H1N1. O tempo passou e o vírus do nosso tempo é o COVID-19.

Desacostumados que estamos com as restrições sociais impostas pela necessidade do momento, quando essa pandemia passar, teremos muito a comemorar. No entanto, enquanto essa tempestade não passa cada um pode fazer a sua parte, como aquelas adotadas em 1918.

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