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TRUMP RETIRA EUA DE acordo nuclear com o Irã

08:17AM - 11 de Maio por Js Edição

Ignorando apelos de seus aliados europeus, o presidente, Donald Trump, anunciou na terça-feira, 8, a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, mas disse estar disposto a negociar um pacto mais abrangente. Mais importante decisão de política externa de seu governo, a medida pode fortalecer os conservadores em Teerã, provocar uma corrida armamentista no Oriente Médio, aumentar o risco de confl ito na região e afetar a credibilidade de Washington.

Trump afi rmou que os Estados Unidos restabelecerão todas as san- ções econômicas que haviam sido suspensas em razão do pacto, que era uma das principais realizações internacionais de seu antecessor, Barack Obama. “No coração do acordo do Irã estava a gigantesca fi cção de que um regime assassino desejava apenas um programa nuclear pacífi co”, declarou Trump ao anunciar sua decisão na Casa Branca.

“Hoje, nós temos a prova defi nitiva de que essa promessa iraniana era uma mentira”, acrescentou. Logo depois de seu pronunciamento, o presidente do Irã, Hassan Rohani, disse que está disposto a permanecer no pacto, por meio de negociações com seus demais signatários: França, Reino Unido, Alemanha, China, Rússia e União Europeia.

Mas alertou que mudará de posição caso as conversas fracassem. “Ordenei à Agência de Energia Atô- mica do Irã a se preparar e, quando quer que seja necessário, começar a enriquecer urânio mais do que nunca”. Obama divulgou uma longa nota, na qual qualifi cou a decisão de um “sério erro”. Segundo o ex- -presidente americano, o acordo reverteu avanços no programa nuclear iraniano e está sendo implementado sem violações de seus termos.

Além disso, sua negociação não envolveu apenas os EUA e o Irã. “É um pacto multilateral de controle de armas, endossado de maneira unânime pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).” Sem ele, afi rmou Obama, “os Estados Unidos poderão fi car com uma escolha perdedora entre um Irã com armas nucleares ou outra guerra no Oriente Médio”.

Ao justificar sua decisão, Trump se referiu a documentos apreendidos pelo serviço de inteligência de Israel e divulgados há poucos dias pelo primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, um dos únicos líderes internacionais a apoiar a decisão de ontem. Analistas concluíram que as informações eram superadas – muitas eram datadas de 13 anos atrás – e se referiam a uma fase do programa nuclear abandonada pelo Irã antes do acordo, assinado em 2015. Agências de inteligência dos EUA concluíram que o Irã cumpria as obrigações previstas no pacto, pelo qual aceitou restrições em seu programa nuclear em troca do levantamento de parte das sanções econômicas impostas por americanos e europeus.

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