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Investigação de fraude em aluguel leva PF a pedir ajuda à Imigração dos EUA

- 20 de Dezembro por FOLHAPRESS

FOLHAPRESS - A Policia Federal do Brasil recorreu ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (Immigration and Customs Enforcement) para investigar o agente especial brasileiro Gilmo França, que trabalhou como adido policial em Miami entre 2013 e 2015. Ele foi acusado de crime de estelionato, por simular um valor maior para o auxílio residência a que tem direito os servidores que trabalham no exterior. Gilmo alugou uma casa por 3 mil dólares (9,9 mil reais) mensais em Miami, mas a investigação mostrou que ele simulou aluguel de 5 mil dólares (16,5 mil reais), com recibos falsos, lesando  o erário em 24 mil dólares (79,2 mil reais).

Relatório do Oficialato de Ligação da PF em Miami, de fevereiro de 2016, informa à Coordenação-Geral de Cooperação Internacional da PF em Brasília que o policial foi investigado com a ajuda de agentes federais da Imigração Americana. A missão dos agentes americanos foi a de levantar informações nos bancos de dados no Detran da Flórida (Department of Higway Safety and Motor Vehicles), sobre os endereços residenciais de Gilmo e documentos relativos à compra de veículos do policial e de seus familiares. O relatório foi anexado ao inquérito que Gilmo respondeu em Brasília.

A investigação da PF, feita com a ajuda dos americanos, comprovou a irregularidade e o Ministério Público Federal denunciou Gilmo na Justiça Federal em Brasília.  A falsificação de recibos, segundo o Ministério Público, era visível. O locador americano ora assinava Robert, ora assinava Roberto nos recibos, redigidos em português. A transportadora que fez a mudança de Gilmo para o Brasil informou ter recolhido a mobilha na casa alugada por 3 mil dólares. Gilmo alegou que morou em lugar distinto da família, em outro imóvel, mas um de seus filhos desmentiu essa versão em depoimento.

Gilmo, que hoje trabalha no plantão da Polícia Federal em Brasília, pediu à Justiça Federal que fosse feito um levantamento das prestações de conta de residência funcional de todos os adidos policiais que serviram no exterior entre 2013 e 2015, para poderia servir de comparação. No inquérito, foram juntados gastos mensais da PF com aluguel de adidos no exterior, inclusive o auxílio residência do novo diretor-geral, Fernando Segovia, que serviu como adido na África do Sul. A lista inclui alguns ressarcimentos de auxílio residência que superam 20 mil reais mensais.

O advogado Marcelo Elmokkisi Dimatteu, que defende Gilmo, diz que a Polícia Federal foi bem mais rigorosa com seu cliente do que com outros adidos que apresentaram comprovantes de aluguel no exterior. O advogado nega que seu cliente tenha agido de forma irregular. “O Gilmo fez tudo de acordo com o que a prestação de contas exige”, diz Dimatteu. “Ele é reembolsado pelo aluguel e dois anos depois fazem uma revisão. Já que no caso dele fizeram uma rechecagem dos dados, tem que ter (rechecagem) para todo mundo”.

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